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Jun
23

Porquê investir em Design?

POR: Filipa Pias

Imagem da entrada: Porquê investir em Design?

A finalidade de qualquer empresa é ter um posicionamento único e sustentável, através de um conjunto de orientações, a estratégia, que permitam alcançar esse objectivo. Por isso, é fundamental que a estratégia seja compreendida por todos os envolvidos.

Ora, na maioria das vezes, as empresas apresentam as ideias e objectivos oralmente ou em documentos escritos que são susceptíveis de várias interpretações. Para ser claro e perceptível é necessário visualizar o que se pretende. Uma imagem resume o que se aspira, descreve o processo de desenvolvimento, cria empatia e clarifica o objectivo.

Desenhar ou construir um protótipo, seja de um produto ou de um serviço, torna visível algo abstracto e ajuda a focar no essencial a detectar problemas e corrigi-​​los, tornando-​​se num catalisador de ideias e consequentemente de inovação.

É por isso que o Design pode ajudar a organização a implementar a estratégia e torná-​​la num processo em constante evolução. Mais do que um resultado, design é o processo para alcançar a solução que acrescenta valor ao produto.

Design como um processo

Porque Design é mais do que desenhar um logótipo, design é desenvolver um sistema de identidade que crie empatia connosco, que nos envolve na sua visão e missão e com quem partilhamos os mesmos valores.

O Design está presente no nosso dia-​​a-​​dia: nos serviços e produtos, nos transportes, nas áreas públicas e nos espaços que habitamos. Deriva da palavra desígnio, do latim Designare, que significa propósito, intenção, vontade para realizar algo. Design é sinónimo de acção, de identificar necessidades e desenvolver soluções a partir de uma metodologia de projecto. De um processo de desenvolvimento do trabalho que começa por um olhar atento, por observar e perceber que existe uma necessidade que pode ser colmatada. Pode ser um utensílio, um serviço ou um produto. Pode ser alguma coisa que já existe e precisa de uma adaptação ou algo inteiramente novo.

Identificado o problema, é indispensável definir de forma geral o que se pretende, através da inclusão de todas as sugestões e contributos dos stakeholders e da participação de equipas multidisciplinares no processo de desenvolvimento do projecto.

“Se eu tivesse perguntado o que as pessoas necessitavam, provavelmente teriam dito um cavalo mais rápido.” Henry Ford

Porque na maioria das vezes as pessoas sabem qual é o problema e qual será a resposta, mas não têm meios para chegar a uma solução inovadora.

Tratada a informação e definido o mercado alvo e o posicionamento que se ambiciona, a equipa multidisciplinar começa a estudar conceitos e modelos de abordagem para alcançar o objectivo.

Design como pensamento estratégico

Por ser transversal no desenvolvimento de um produto, desde a ideia até à comercialização, o design tem consequentemente uma visão holística da própria empresa e pode intervir, no sentido de ajudar a definir as competências nucleares e estimular o desenvolvimento das capacidades e recursos das organizações. Quem sou? Que tenho de único e relevante? Para onde quero ir?

Porque no mercado actual o preço não é vantagem competitiva que interesse ou seja possível para as empresas portuguesas; o que realmente torna uma empresa competitiva é ter um produto diferenciado.

Design = Inovação = Diferenciação = Competitividade

Após a 2ª Grande Guerra, o governo de Winston Churchill promoveu a criação do Design Council, por forma a estimular o desenvolvimento da inovação e competitividade e consequentemente o crescimento da economia.

E nós? Não poderemos olhar para o panorama actual como uma oportunidade de fazer diferente? Porque não aproveitar este tempo para observar, reflectir e apostar na inovação e diferenciação dos nossos produtos, através do investimento em Design.

“Where design is integral, 44% of companies see a resulting increase in competitiveness and turnover.”

Design in Britain 2004/​05 — Design Council

“Design is the second most important ingredient of success for rapidly growing businesses. 50% of manufacturers say design is increasingly important to their competitive edge.”

Design in Britain 2005/​06 — Design Council

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Filipa Pias

Filipa Pias

Sócia da Associação Portuguesa de Designers e designer da AICEP, Pós Graduação em Artes Gráficas, é mestranda no ISEC Universitas, onde investiga a viabilidade económica da gráfica AICEP, os prós e contras do outsourcing vs insourcing. Elaborou o sistema de sinalética da AICEP, a revista “Memória” do Centro Português de Fundações e o manual didáctico Logótipo – O que é? Para que serve? Como se constrói?

Publicado em: Design, Design Português, Feature, Opinião com as Tags: , , ,

Comentários:
1

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1 Comentário

  1. D. diz:

    Julho 1st, 2010 at 00:15

    Agora só falta mesmo que nos comecem a chamar de designadores. Pois às vezes é complicado explicar que somos muito mais do que aqueles que fazem “bonecada” ou coisas parecidas e “bonitinhas”… Gostei!

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