Bem-vindo ao Be Mad About Design

Acreditamos no design. Acreditamos enquanto disciplina e enquanto forma de vida. Acreditamos que faz parte do nosso dia-a-dia e da forma como nos relacionamos com tudo o que nos rodeia.

Somos loucos por design! Pelo design democrático. Pelo design funcional, de qualidade e acessível. Somos loucos pelo design que se reinventa todos os dias no sentido de estar, cada vez mais, ao serviço da maioria.

Login de Membros

Perdeu a password?

Ainda não é Membro? Registe-se!

Mar
10

Design: ponderar a profissão em Portugal

POR: Denise Ferreira

Imagem da entrada: Design: ponderar a profissão em Portugal

Desde os anos 70 do século XX que se sentiu a necessidade de se criarem cursos superiores em Portugal, de modo a preparar profissionais aptos a oferecer um trabalho especializado e dar resposta às necessidades empresariais. Desde então, o número de profissionais com formação e autodidactas tem vindo a crescer seguindo uma prática sem regras, dependendo o valor atribuído ao design, da sensibilização e conhecimento que a sociedade e o meio empresarial tem sobre esta recente actividade.

Tomar consciência do real estado da profissão de designer em Portugal ressalta um número de lacunas de premente resolução, para um melhor entendimento da disciplina e reconhecimento profissional.

Com o Projecto de Investigação “Design Reconhecido: Organização e Deontologia” (desenvolvido no âmbito do Mestrado de Design de Comunicação, da Faculdade de Arquitectura da U.T.L., em 2009) foi apresentado um conjunto de documentação e resultados que traduzem a situação actual de uma profissão, com uma quota parte de responsabilidade social, económica e ambiental, e cuja actividade continua a ser praticada marginalmente, como a elaboração de contratos apenas com base em avenças verbais, o cálculo de honorários praticado segundo a opinião e exemplo de outros colegas mais próximos, participação e elaboração de concursos com base em concorrência especulativa (Free Pitching) e uma prática negativa de protecção da Propriedade Intelectual.

Esta marginalização costuma ser justificada por uma falsa ideia de inexistência de informação orientadora para boas práticas. Falsa ideia, porque mesmo existindo lacunas a nível nacional, estas podem ser preenchidas com as orientações de associações internacionais.

É urgente esclarecer a sociedade do que pode esperar, quais as responsabilidades e o lugar/​papel dos designers. O design continua envolto em equívocos, sendo ainda tido como uma disciplina de base artística, de soluções formais e estéticas, onde os designers apenas são considerados simples artistas. Esta situação é notória, por exemplo, na consulta da legislação da Propriedade Intelectual ou na constante publicidade apresentada aos consumidores.

Uma profissão, para atingir o devido reconhecimento, credibilidade, estatuto definido, papel ou lugar na sociedade, deve seguir uma organização composta por meios que orientem os seus actores num objectivo comum e com uma deontologia que determine quais os seus deveres e responsabilidades.

Com base no inquérito “Design Reconhecido” (realizado em 2009) constatou-​​se um desconhecimento entre os designers sobre questões relacionadas com a organização e deontologia do Design, onde 88% dos participantes responderam que não se encontram inscritos em Associações de Design, 83% não exercem a sua actividade segundo um Código Deontológico e apenas 18% respondeu positiva e correctamente à questão de conhecimento de quais as entidades responsáveis pela Propriedade Intelectual.

Constatou-​​se também que a situação profissional do designer em Portugal é instável, com resultados que demonstram dificuldade de definição da mesma, valores percentuais elevados de participantes com contrato a termo certo e em estágio profissional e a indicação de valores fixos mensais de remuneração, na sua maioria inferiores a 1000€.

Perante uma situação de crise, onde a prática de políticas de design depende da cultura de cada país, os designers podem encontrar a sua oportunidade de esclarecer e sensibilizar a sociedade e o meio empresarial para o seu importante contributo como factor essencial de crescimento económico e posicionamento internacional, através da sua definição como classe profissional e da criação de uma linha de conduta que os orientem num objectivo comum, como a sua credibilização e reconhecimento nacional.

  • Bt Facebook
  • Bt Twitter
  • Bt Delicious
  • Bt Digg
  • Bt Stumble
Denise Ferreira

Denise Ferreira

Mestre em Design de Comunicação pela Faculdade de Arquitectura da UTL, desde 2009, com o projecto de investigação “Design Reconhecido: Organização e Deontologia”. A dar sequência, neste momento, ao projecto anterior com o desenvolvimento de PhD sobre Propriedade Intelectual do Design na mesma faculdade. Sócia e colaboradora da Associação Portuguesa de Designers desde 2009.

Publicado em: Design, Design Português, Feature, Opinião com as Tags: , ,

Comentários:
4

Relacionados

4 Comentários

  1. Miguel Sanches diz:

    Março 14th, 2010 at 21:04

    De facto, a profissão de designer e o objecto de design, continuam a viver num verdadeiro limbo no que diz respeito à propriedade intelectual. Desta forma são inúmeros os exemplos de situações caricatas aquando do registo de propriedade ou de direitos de autor. É tempo de as clarificar de uma vez por todas…
    Aguardamos todos as conclusões deste estudo. Bom trabalho Denise!!!!

  2. Denise Ferreira diz:

    Março 17th, 2010 at 09:56

    Obrigada Miguel!
    É realmente necessário reflectir e consciencializar sobre o estado em que a profissão se encontra no nosso país.
    É bom saber que o nosso trabalho é apoiado pelos nossos colegas, o que nos dá força para continuarmos “em frente”.

  3. Diogo Santos diz:

    Março 20th, 2010 at 00:12

    Interessante trabalho Denise. Convinha explorar também as razões pelas quais ainda não se conseguiu uma Ordem de Designers… Temos os arquitectos a defenderem-​​se, e algumas “instituições” de design geridas por pessoas sem currículo/​diploma em design. Temos ainda as faculdades de design com professores maioritariamente de outras áreas. Será que há futuro assim?
    Eu já fiz a reflexão. Precisamos agora é de REIVINDICAR!
    Tem o meu apoio.

  4. Denise Ferreira diz:

    Março 22nd, 2010 at 12:37

    Obrigada Diogo!
    Acredito que há futuro, desde que estejamos sempre na disposição de mudar e melhorar. É preciso que se tome consciência de que este não é um problema só de alguns, mas de todos e como em tudo, parte de cada um fazer algo para o solucionar. Instituições como a APD e o CPD, têm vindo a realizar acções neste sentido de promoção e reconhecimento profissional do design.
    A questão da ordem é uma problemática que já vem a ser discutida há algum tempo e a verdade é que se tem demonstrado ser uma necessidade, a institucionalização de uma entidade pública da profissão que regule e oriente os designers, para o exercício e credibilidade das suas práticas profissionais.
    Sugiro que consulte a página da internet da Associação Portuguesa de Designers, para conhecer alguns dos trabalhos que têm vindo a ser realizados.

Deixe o seu comentário

Os comentários são moderados pelos autores deste blogue.

Os campos de nome e email são obrigatórios