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Design Inclusivo = Diversidade de oferta

A abundância de produtos e serviços disponíveis às populações das sociedades de consumo atinge hoje proporções inigualáveis na história da humanidade. Este excesso produtivo confronta a indústria com desafios completamente diferentes daqueles com que esta se deparava no seu início. Actualmente é a sustentabilidade do sistema que está em causa. Ultrapassámos a fase em que era preciso produzir mais e chegámos a um momento em que é preciso produzir melhor.
Os produtos industriais acompanham todos os momentos da vida quotidiana e apresentam-se como uma expressão cultural que será sem dúvida uma das mais importantes dos nossos tempos. Contudo, nestas sociedades de abundância, milhares de pessoas são confrontadas diariamente com a inexistência de produtos adequados às suas capacidades, impedidas de acederem à informação, ao trabalho, à cultura, ao lazer e até mesmo à autonomia e privacidade.
Este problema assume ainda maior importância se considerarmos o cenário de acentuado envelhecimento demográfico em que nos encontramos, que levará a uma crescente diversificação das capacidades da população.
O paradoxo existente entre este excesso produtivo e a falta de diversidade de oferta para pessoas com capacidades diferentes da maioria emerge de um modo de produzir onde coexiste uma enorme diversidade de estilos de vida com um modelo estereotipado das características físicas, sensoriais e cognitivas das pessoas.
Pensemos num objecto comum como um telemóvel: existem disponíveis no mercado dezenas de modelos, com cores e linguagens simbólicas diferentes, mas praticamente todos assumem um mesmo perfil ergonómico e cognitivo, que leva invariavelmente a teclas pequenas e menus complexos. Para as pessoas que não encaixam nesse perfil existe pouca ou nenhuma oferta.
A diversidade de oferta, em resposta a necessidades diversificadas, tenderá a crescer de acordo com a tendência demográfica que a sustém. As empresas que o perceberem primeiro liderarão este processo incontornável.
O conceito de Design Inclusivo aplicado à produção industrial promove esta diversidade de oferta através da criação de produtos mais adequados às necessidades de uma população diversificada.
Para que este conceito possa ser aplicado é preciso encontrar formas de viabilizar produtiva e economicamente linhas de produtos diversificados, que permitam ao consumidor escolher de acordo com o seu próprio perfil físico, sensorial e cognitivo. O crescente recurso à personalização em produtos industriais é uma manifestação desta estratégia.
Mas a viabilidade de produtos desenhados para pessoas cujas capacidades são desvalorizadas socialmente também passa por compreender a dimensão cultural dos produtos que lhes são propostos e procurar novas formas de responder às suas expectativas de identidade e participação social. Não é possível continuar a desenvolver produtos para pessoas com 60 anos a partir de um perfil estereotipado a ultrapassado de “idoso”.
Se quisermos alcançar os pressupostos que estão na base do Design Inclusivo deveremos concentrar-nos na ideia de “escolha” como um conceito essencial.


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